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O Código Florestal brasileiro é de 1965 e, no Congresso, o agro-negócio propõe mudanças que reduzem a proteção das matas nativas e dos rios, principalmente. Você considera que:
| Leia o artigo do ambientalista Raimundo Medeiros sobre o hospital anti-ambiental. |
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| Escrito por Amavida |
| Qua, 03 de Fevereiro de 2010 12:24 |
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O ambientalista Raimundo Medeiros discorda do projeto de João Castelo.
Nosso sítio publica o artigo do engenheiro e ambientalista Raimundo Medeiros, da ABES, do IMARH e do Fórum de Saneamento Ambiental, sobre o impacto negativo do projeto de construção de um necessário hospital para atender à saúde da população de São Luís em localização completamente criminosa do ponto de vista ambiental e, inclusive, sanitário: o Parque Estadual do Bacanga, a principal área de conservação ambienta integral da Ilha do Maranhão. Leia o artigo na íntegra:
A FLORESTA, A GUERRA E A ÁGUA
Poucos sabem no Maranhão que o presidente Getúlio Vargas em 26 de agosto de 1944, através do Decreto-Lei de nº 6.833, declarou como “floresta protetora” toda a área de matas dos mananciais abastecedores de água da cidade de São Luís.
O limite original da área era desde a foz do Rio das Bicas, seguindo por onde hoje é a Avenida dos Africanos, até o cruzamento com a Avenida dos Franceses e continuando pela antiga estrada de ferro. Na época que gestores e sociedade achavam a área demasiadamente grande, permitiram a edificação de bairros tais como: Parque Timbiras, Coroadinho, Sacavém, Vila Esperança e Maracanã, para citar os maiores.
A Companhia das Águas de São Luís, desde 1874, utilizava o rio Anil e um poço no Barreto para abastecer a cidade, ambos fora dos limites da floresta. Nas duas primeiras décadas do século XX, a população começou a questionar as fontes, pois, a água tinha aspecto visual turvo.
Feitos estudos para transferência da captação, foram escolhidos os mananciais Sacavém, Mãe Isabel, Veloso, Batatã e Maracanã. A estação de tratamento seria na floresta do Sacavém.
Em 1923, os americanos chegaram ao Maranhão, primeiro oferecendo empréstimos e depois encamparam a Companhia das Águas de São Luís e outros serviços como energia elétrica, bondes e a prensa de algodão com a empresa chamada Ulen & Companny. O contrato foi assinado pelo advogado Henry Charles Ulen, e o oficial de Marinha Magalhães de Almeida, na cidade de New York, onde a empresa tinha escritório.
Em 1943, os presidentes americano e brasileiro se encontram em Natal - RN, que era a base americana, para discutir a aliança na Segunda Guerra Mundial. No ano seguinte, Getúlio Vargas assina o decreto e cria a floresta de proteção das águas.
Os americanos previram a necessidade da reserva estratégica de água. A guerra continuava, e São Luís precisaria atender minimamente aeronaves e navios em caso extremo. Assim, investiram nos mananciais de água da pequena cidade, para atender a uma demanda da guerra.
Desta forma, surgiu a barragem do São Raimundo, que tinha a função de suprir com água as necessidades do recém-construído campo de aviação e aeronaves. Surgiu também a floresta protetora, para onde transferiram a captação de água. O sistema de abastecimento iria atender os navios e a cidade. Depois de muitas tentativas, somente em 15 de junho de 1946, após o fim da Segunda Guerra, em solenidade no Palácio dos Leões e na presença das autoridades, o contrato da Ulen com o Estado foi encerrado. Tinha conseguido reunir oposição e governo contra ela.
Em 7 de março de 1980, o governador João Castelo, através do Decreto nº 7.545, criou o Parque Estadual do Bacanga, na área física da floresta, com área inicial de 3.075 hectares, reduzida em 2001 para 2.634 hectares, ampliando os objetivos originais de “conservar ambientes naturais favoráveis ao desenvolvimento de atividades humanas de caráter científico, educacional e recreativo”. O que os americanos sugeriram, proteger e conservar água doce na ilha permanece até hoje funcionado e justo quando se aproxima de 100 anos queremos em parte destruir. Assim, a floresta protetora ou Parque do Bacanga tem enorme valor para todos os moradores de São Luís e devemos a sua concepção e existência ao mesmo povo que gastou uma fortuna para construir, há 137 anos, o Central Park, no centro de Manhattan, a mais bela jóia de New York City.
Raimundo Medeiros Presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental Seção MA e membro ACL
======================== Texto: Raimundo Medeiros Foto: Arquivo da AMAVIDA
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| Última atualização em Qui, 04 de Fevereiro de 2010 11:34 |
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